Choque (di)gestão II: Os impactos da Nossa Caixa (2) no BB
Finanças e Mercado
Banco do Brasil retoma seu posto de maior banco do hemisfério sul, apesar das "lunetas" quebradas e dos (jusque) vícios incrustados na administração da Nossa Caixa(2)
O prejuízo de R$ 349 milhões da Nossa Caixa não passou pela conta de resultados e, por isso, "não teve impacto" no recuo de 29,1% do lucro líquido do Banco do Brasil (BB) no primeiro trimestre do ano em relação a igual período de 2008. Receitas e despesas do ex-banco paulista, contudo, passaram a incorporar o resultado global do BB desde o mês passado, ou seja, aparecerão no balanço do segundo trimestre. A explicação é do gerente-geral da área de Relações com Investidores do BB, Marco Geovanne Tobias.
Segundo ele, o resultado negativo da Nossa Caixa foi para o ajuste patrimonial do banco estatal, somando-se aos ativos e passivos. O ativo do BB teve ampliação a R$ 591,9 bilhões com a compra da Nossa Caixa. A carteira de crédito da Nossa Caixa se somou às operações globais de empréstimo do BB, contribuindo para a variação positiva de 40% em 12 meses e de 7,6% no trimestre em relação ao anterior. Sem a Nossa Caixa, o crédito do BB teve alta de 1,6% em março sobre o fim de 2008. O crédito total (carteira interna) subiu a R$ 241,9 bilhões.
Segundo Tobias, o BB mantém a projeção entre 13% e 17% para a expansão de sua carteira de crédito em 2009, com foco nos empréstimos a pessoas físicas, cuja expectativa é de alta entre 23% e 25%. "A gente ainda perde muito para nossos concorrentes privados no crédito a pessoa física", disse.
Com um lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, ante R$ 2,34 bilhões no primeiro trimestre de 2008 e de R$ 2,94 bilhões nos três últimos meses daquele mesmo ano, outros fatores agudizados pela crise financeira global contribuíram para um resultado menor do BB. Tobias cita, entre eles, o prosseguimento na trajetória de queda dos juros.
A carteira de títulos públicos do banco estatal, por exemplo, cresceu de R$ 86,9 bilhões em dezembro de 2008 para R$ 110,6 bilhões em marco deste ano, com a incorporação de R$ 22 bilhões da Nossa Caixa. Mesmo em volume maior, as operações de tesouraria do BB mostraram recuo de 29% nas receitas, de R$ 8,09 bilhões no quarto trimestre do ano passado para R$ 5,7 bilhões em março deste ano, em consequência de menor remuneração dos papéis do governo.
O resultado da intermediação financeira caiu para R$ 6,98 bilhões no primeiro trimestre, ante R$ 7,07 bilhões registrados ao final de dezembro de 2008. As provisões subiram em março para R$ 2,491 bilhões, ante R$ 2,24 bilhões ao fim de 2008 e R$ 534 milhões um ano antes.
O crescimento das despesas com provisão por conta de aumento na inadimplência foi outro fator de redução do resultado do BB. Tobias notou que a alta de 11% nas despesas em relação ao fim de 2008 decorreu da expansão da taxa geral de 2,4% para 2,7% nos atrasos superiores a 90 dias.
O executivo do BB destaca que a pressão partiu das operações de crédito com empresas, cuja inadimplência aumentou de 1,7% para 2,6% no trimestre. A estimativa do BB é de que, em função da crise, a inadimplência geral na instituição pode subir cerca de 2,2 pontos percentuais ao longo de 2009. "A gente percebe que a inadimplência está aumentando", comentou.
(Redação com Valor On Line)
BB retoma liderança de mercado perdida para Itaú Unibanco
Segundo o jornal Gazeta Mercantil, o posto de maior banco do Brasil e do Hemisfério Sul em ativos conquistado pelo Itaú Unibanco após a fusão das operações em novembro passado durou aproximadamente seis meses.
Ao divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2009, o Banco do Brasil (BB) reportou ativos totais de R$ 591,92 bilhões, uma alta de 42,9% em um ano. Entretanto, nesse número ainda não constam os 50% de participação adquiridos pelo BB do Banco Votorantim (BV) no início deste ano. Com essa fatia - em torno de R$ 41,8 bilhões do total de ativos de R$ 83,6 bilhões do BV - o Banco do Brasil passa a ter ativos de R$ 633,72 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões acima dos R$ 618,94 bilhões anunciados pelo Itaú Unibanco no início do mês.
Marco Geovanne Tobias, gerente de relações com investidores do BB, explica que essa fatia ainda não foi contabilizada no balanço porque a instituição aguarda a autorização do Banco Central (BC) para a operação, o que deverá acontecer sem transtornos, mas ainda não há data definida.
Outras aquisições que o BB realizou do ano passado para cá (como a do Banco Nossa Caixa, do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Banco do Piauí) foram decisivas para o retorno à liderança, mas a arrancada no crédito nesse período de crise também foi fundamental. Enquanto boa parte dos bancos privados fechou as torneiras do crédito, a instituição, controlada pelo governo federal, baseada em sua estratégia de crescimento também orgânico e pelas orientações do presidente Lula, disparou nesse mercado.
A carteira de crédito do BB, incluindo operações externas e prestação de garantias, cresceu 41,3% em doze meses e 7,3% ante dezembro, encerrando março com um volume de R$ 254,4 bilhões. A expansão ficou bem acima da média do mercado brasileiro, ressalta Tobias, de 1,1% no trimestre e em torno de 25% em um ano. "Certamente o crédito tem sido a mola do crescimento orgânico do BB, mas as aquisições que o banco fez já mostram a que vieram", diz o executivo, observando que a compra da Nossa Caixa contribuiu com cerca de 12% da expansão dos ativos e com parte expressiva da evolução no crédito - os ativos e o passivo da Nossa Caixa já foram contabilizados no balanço do BB.Sem a Nossa Caixa, as operações de crédito do BB cresceram 1,6% no trimestre e 29,8% em um ano, percentuais também acima do mercado e dos seus principais concorrentes privados: ante dezembro, o Itaú Unibanco teve leve alta de 0,3% e os bancos Bradesco e Grupo Santander apresentaram ligeira retração. Conforme Tobias, o desempenho apenas do BB no crédito foi impactado pela sazonalidade do agronegócio, em período de entressafra, além da crise, que reduziu o apetite dos tomadores.
No agronegócio, a carteira alcançou R$ 64,28 bilhões, crescimento de 13,7% em um ano e de 0,9% ante dezembro. As operações para pessoas físicas foram a R$ 61,13 bilhões, uma alta de 67% em doze meses e de 25,3% no trimestre. O destaque, afirma Tobias, foi o crescimento no segmento de crédito consignado, área de forte atuação da Nossa Caixa, de 94,5% em doze meses e de 40,9% no trimestre, para um estoque de R$ 24,4 bilhões - o que rendeu uma participação nesse mercado de 30,3% e uma carteira com menor risco. No financiamento a veículos, área que tem sido estratégica para o BB, a expansão foi de 97,7% em um ano, para R$ 7 bilhões em março.
A carteira de pessoa jurídica atingiu R$ 101,8 bilhões, com avanço de 47,2% em um ano e de 4,7% sobre dezembro. Tobias afirma que, para 2009, a instituição ainda mantém intactas as previsões anteriores, de evolução entre 13% e 17% para as suas operações de crédito, ante um avanço esperado de 10% a 15% para o mercado. A ênfase maior, diz, será na pessoa física, com expectativa de alta de 20% a 25%.
Os índices de inadimplência cresceram no BB, como em grande parte dos bancos, passando de 2,4% sobre o total da carteira em dezembro, para as operações com atraso acima de 90 dias, para 2,7%. Na pessoa jurídica subiu de 1,7% para 2,1% e na pessoa física ficou estável em 5,9%. Tobias ressalta que esses índices são todos abaixo da médiado mercado. A provisão para créditos de liquidação duvidosa somou R$ 2,65 bilhões, alta de 65,5% em um ano, mas queda de 31,8% ante dezembro.
Queda no lucro
O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, queda de 29,1% comparativamente ao apurado em igual intervalo de 2008 e uma retração de 43,4% ante o apurado entre outubro e dezembro do ano passado. Sem eventos extraordinário, o banco teve um lucro de R$ 1,35 bilhão, com redução de 12,9% e 16,5%, respectivamente. Segundo o executivo, os ganhos foram impactados por eventos extraordinários, como aumento das provisões para crédito de liquidação duvidosa, reforço para provisões relativas a planos econômicos, além de outros para demandas trabalhistas e fiscais. Na lista de efeitos positivos, ele cita o reconhecimento de créditos tributários. No total, houve um impacto positivo pouco superior a R$ 300 milhões.
Fonte: Gazeta Mercantil
Comentários: E por que uma empresa, competindo num mesmo mercado, dá um prejuízo de R$349 milhões, enquanto a outra dá um lucro de R$1,66 bilhão?
A diferença colossal do resultado do primeiro trimestre entre os dois bancos revela a diferença de práticas administrativas (e gerenciais) há muito indentificadas nas duas instituições:
1 - No BB o foco é no cliente para, através do capital humano, atingir os resultados traçados.
2 - Na Nossa Caixa, isto é tradição, o foco era no resultado, através dos clientes, em detrimento do capital humano.
O resultado é este que se vê. Darwin, melhor que qualquer outro explicaria esse processo:
No nicho do mercado bancário algumas espécies estão irremediavelmente condenadas à extinção, porque foram incapazes de reconhecer suas deficiências históricas e endógenas como o parasitismo fisiológico, o corporativismo insipiente, práticas gerenciais obsoletas, profissionais despreparados e apaniguados e, principalmente, a catatonia esquizofrênica espalhada desde os cargos estratégicos, passando pelos cargos táticos até os cargos operacionais (execução) de uma instituição à iminência da extinção.
Nenhuma novidade. Segundo a teoria da seleção das espécies: quem não evolui, desaparece; e o Banco Nossa Caixa está com os seus dias contados. A partir de 2010 será apenas figurinha de contemplação infantil ao lado de dinossauros, mamutes, lunetas e (jusque)vícios.
Aos jurássicos que já se vão, tarde inclusive, e ao novo que se vislumbra o Clipping do Tato, carinhosamente: